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Análise: PALOPs VS Portugal e Brasil – O marasmo entre os grandes de lá e os de cá!

25/10/2011


Por: Custódio Fernando



Brasil, Portugal e os PALOPs, têm além da língua portuguesa, muitas coisas em comum. Neste caso específico a paixão pelo desporto (esporte em BR.) e, para ser mais preciso, a paixão pelo futebol. Não raro, vêem-se angolanos, por exemplo, afirmando serem adeptos ferrenhos de agremiações lusas como Sporting, Benfica e Futebol Clube do Porto embora sejam também de “times” locais como o Petro de Luanda, 1° de Agosto e Interclube.

Diante do fato, será traição ou crise de identidade torcer por dois times? Já vi passeatas nas principais artérias da cidade de Luanda, a capital de Angola, em comemoração ao título benfiquista na principal liga de futebol portuguesa. Entretanto nunca vi tamanha movimentação para a comemoração de um título do Petro ou d’Agosto, por exemplo. Porque será?

Pode ser oportuno recordar que embora, como disse a principio, o futebol seja uma paixão em comum, a realidade dos países africanos de língua oficial portuguesa em relação a Brasil e Portugal é totalmente diferente. A começar pela forma como os times são sustentados ou se auto-sustentam através de campanhas publicitárias de seus jogadores, o uso de suas marcas, e o merchandising que acabam fazendo de grandes empresas que pagam para que isso aconteça.

 Em angola (uma realidade que conheço melhor), apenas o clube desportivo 1° de Agosto - apadrinhado pelas forças armadas angolanas, aquém pertence, o Atlético Petróleos de Luanda (Empresa petrolífera Sonangol, o Inter Clube de Angola (Ministério do Interior – Polícia Nacional), o Kabuscorp do Palanca (Propriedade do empresário Bento Kangamba) o Clube Recreativo do Libolo - criado por iniciativa do General da Reserva e antigo ministro das Obras Públicas, e o Clube Desportivo Sagrada Esperança (Que recebe de companhias diamantíferas da província da Lunda Norte) conseguem se manter por conta dos patrocínios. Os restantes chegam a fazer das “tripas o coração”, muitas vezes até para se deslocarem de uma província para outra em plena jornada do Girabola. Recorde-se do Cambondo de Malanje que prematuramente dissolveu-se para sempre por falta de patrocínio, embora tivesse futebolisticamente chances para se manter até hoje na fina flor do futebol profissional do país.

Talvez a situação se amenizasse caso os adeptos, como são chamadas as torcidas em Angola, pudessem contribuir pagando as entradas, cada vez que fossem assistir a uma partida do seu time. E há até quem o faça, mas se alguém me falar que já viu um estádio com pelo menos dez mil pessoas pagantes é porque se trata do velho clássico Petro VS d’Agosto, ou agora, o populoso Kabuscorp do Palanca, que graças a menos ortodoxa campanha de marketing do seu presidente Bento Kangamba que, segundo sei (uma verdade não confirmada ainda), remunera as torcidas organizadas. Em outras palavras, os times não atraem espectadores aos estádios que acabam se transformando em autênticos elefantes brancos.

Por outra talvez fosse interessante incentivar os sócios a ganhar o costume de pagar suas quotas em dia, o que igualmente passa pela sensibilização das direções dos clubes para uma gestão transparente dos fundos que forem arrecadados. E se lembrarmos que sempre que os clubes participam em competições internacionais o nome do país é igualmente exaltado, vale também pedir aos governantes e a quem de direito no sentido de desenvolverem políticas que realmente funcionam para massificar não só o futebol, mas todas as outras modalidades. Por fazer assim, surge a garantia de que aproximaremos a realidade dos PALOPs ao que se sustenta nos grandes clubes como Corinthians, São Paulo FC, Flamengo, Sport Lisboa e Benfica, e Sporting Clube de Portugal, só para citar alguns.  

Viva o Futebol





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