Após uma chuva torrencial, que quase gera o adiamento da partida, o Remo conseguiu um resultado positivo diante do Barras (PI) ao vencer por 1 a 0, no Estádio Juca Fortes, em Barras, interior do Piauí, e espantou a crise. Em virtude dos problemas, o jogo começou com cerca de 30 minutos de atraso.
Vale lembrar que o embate havia sido antecipado para as 15h40, já evitando problemas oriundos da falta de energia elétrica do palco da partida. O encontro entre paraenses e piauienses só ocorreu porque o árbitro Cleston Pereira, da Federação Cearense de Futebol, chamou para si a responsabilidade da realização da partida, não aceitando as ponderações das diretorias dos dois clubes. Os cartolas queriam transferir o jogo por conta do gramado do Estádio Juca Fortes, sem condições para a prática do futebol.
Embora visitante, o Leão se adaptou mais rápido ao campo. Começou aceso e manteve o adversário acuado. Logo aos 2 minutos, o meio-campo Toninho desperdiçou uma chance. Aproveitando cruzamento do zagueiro Rogério Corrêa, Bebeto também finalizou para fora. Os donos da casa conseguiram aliviar a pressão numa tabelinha entre Felipe e Netinho.
Por pouco, Netinho não abriu o placar. O lance animou o Bafo, que equilibrou as ações. Mas somente aos 41 minutos, Michel assustou o goleiro Adriano, cobrando falta. Um minuto depois, o Remo voltou a atacar. O lateral Neto encontrou Bebeto. O atacante passou por um marcador, finalizou e parou no arqueiro Ivan. Na sequência, o Barras respondeu. E em alto estilo. Num lance rápido, a bola estourou no travessão de Adriano.
No segundo tempo, equilíbrio total, com uma leve tendência para o Bafo, que utilizava um expediente para lidar com o campo pesado: insistia nos lances aéreos. O Leão, por sua vez, contava com o bom entendimento da dupla de defensores Rogério eMárcio. O meia Paulo Victor testou o reflexo de Adriano, que foi buscar. O “paredão” defendeu e a bola ainda bateu na trave. Aos 14 minutos, Neto foi o encarregado de uma cobrança de falta. De pé direito, o garoto chutou e a bola quicou, superando o goleiro Ivan: 1 a 0 Leão.
Minutos depois, quase o segundo. Jaime desferiu um chute forte, Ivan rebateu e possibilitou a finalização, por cima, do atacante Helinho. E os azulinos se entusiasmaram com a possibilidade de vencer por dois gols de diferença, situação que garantia uma classificação antecipada à segunda fase. Após uma triangulação, Helinho empurrou para o fundo das redes. Mas o segundo gol foi anulado pela arbitragem, que alegou impedimento. No final, a pressão do Bafo foi em vão. Remo e Barras voltam a se enfrentar dia 18, no Estádio do Baenão. Um simples empate classifica os paraenses.
Flávio Campos: vitória merecida pelo volume de jogo
Um dos líderes do elenco, o goleiro Adriano, dedicou o placar positivo ao treinador Flávio Campos. Há duas semanas, o comandante teve que lidar com a ameaça de dispensa devido ao fracasso no primeiro turno. Segundo informações de bastidores, foi o presidente do Remo, Amaro Klautau, que bancou a permanência da comissão técnica.
Prestigiado pelos jogadores e pela diretoria, Flávio Campos foi um dos responsáveis pelo Leão guerreiro de ontem. “Futebol pouco foi visto. Taticamente, o Remo foi muito bem. O Remo foi melhor que o Barras”, elogiou. Sobre as suas substituições, o treinador azulino explicou que foram necessárias mediante ao desgaste físico dos titulares.
“Mexi para recompor”, disse, emendando: “Não dava para trocar bola. Tivemos que alçar a bola. Tava na cara que o jogo ia ser decidido num lance diagonal”, declarou, lembrando o gol de bola parada do lateral Neto.
Aliás, o gol de Neto fortaleceu ainda mais Flávio Campos. O lateral foi uma das modificações bancadas pelo técnico e que surpreendeu em função da boa fase técnica do ex-titular Levy. Feliz, Flávio Campos só lamentou oportunidades desperdiçadas, que poderiam gerar um placar mais dilatado. “Tivemos chances. O Levy criou uma oportunidade. Disse a ele que se chutasse, poderia ter feito o gol”, finalizou.
Jogadores destacam evolução da equipe
Quebrou-se um tabu. Jogando nos seus domínios, o Barras sustentava uma invencibilidade de 24 jogos. O Leão não se intimidou, jogou com garra e venceu pelo placar mínimo, mas com méritos. Resultado suficiente para iniciar um processo de resgate da imagem da equipe junto aos torcedores, abalada com os recentes insucessos no Estadual. Pelo menos é o que planejam os próprios jogadores.
Ramon, por exemplo, foi utilizado em função da suspensão de San e Diego Maciel. Na saída do gramado do Estádio Juca Fortes, Ramon se disse feliz. “Trabalhamos forte para corresponder a altura”, falou. Já o zagueiro Rogério Corrêa ressaltou que o Leão utilizou a vontade como fator preponderante “Quando não der na técnica, vai na força e na vontade mesmo. É um absurdo um jogo nessas condições”, criticou, referindo-se às condições do gramado.
Bebeto, que atuou bem, aponta que a vitória é proporcional à confiança do grupo. “A confiança é até maior para o jogo contra o São Raimundo”, disse, lembrando do compromisso pela estreia no returno. Agora, a palavra de ordem é recuperação. “Nós, mais velhos, estamos conversando bastante (com os mais jovens). Nossa equipe está fechada e numa crescente. Vamos para outra competição e nosso objetivo é o título”, decretou o meio-campo Jaime.
Estreantes foram destaques apesar do campo alagado
A aposta da comissão técnica, além de marcar o único gol da partida, foi um dos destaques do Leão. Fazendo a sua estreia como titular da ala direita, o lateral Neto, em campo, foi um dos azulinos mais seguros. O desempenho foi elogiado pelo chefe. “Estou feliz por ele. Ele não sentiu, estava jogando como se fosse um coletivo e lutou”, apontou Flávio Campos. “O Remo estava carente deumjogador para a bola parada”, continuou o treinador.
Neto dedicou o gol aos seus familiares e não deixou o sucesso transformar o discurso humilde. “Falei a ele (Flávio Campos) que podia confiar. Era o jogo da minha vida. Trabalhei em prol do grupo. Agora é continuar o trabalho”, declarou.
Além de Neto, outra atuação destacada foi do zagueiro Márcio Pereira. Ao lado de Rogério Corrêa,Márcio, de 37 anos, usou a sua experiência e afastou parte dos perigos oriundos das bolas áreas do adversário. “Tem que honrar essa camisa. Trabalhamos bastante a bola parada para corrigir erros”, falou. Depois da vitória, Márcio adiantou que as comemorações não podem se estender. “Temos que esquecer e pensar no São Raimundo.”
(Diário do Pará)










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