O título foi transmitido de forma hereditária, assim como acontece nas realezas pelo mundo afora. O atacante Euller, do América-MG, que ficou conhecido como o 'Filho do Vento', por conta da velocidade nas arrancadas em direção ao gol, trabalha para não deixar a fama se perder. O jogador, com 40 anos, está prestes a se aposentar, mas já tem um herdeiro no caminho para carregar o nome da família: Gabriel Braga, de 10 anos. Mas pode chamar o menino de 'Neto do Vento', apelido que carrega desde que deu os primeiros chutes na bola. Gabriel, também atacante, já tem uma 'carreira' de cinco anos e o mais recente 'clube' é a escolinha de futebol 'Filho do Vento'. Ao contrário do que acontecia com Euller, o 'Filho', o incentivo para o 'Neto' seguir a carreira é grande.- A única diferença é que aqui ele corre. Eu corria do meu pai para não apanhar. A velocidade é a mesma, a diferença é só o motivo da corrida. O Gabriel realmente tem a velocidade, tem essa característica pela genética.
Quem vê Euller falando assim pode achar que é apenas mais um pai orgulhoso do filho. Mas a habilidade do ‘Neto do Vento’ tem testemunhas mirins. Luiz Otávio, de 9 anos, e João Victor, com 11, companheiros de escolinha, confirmaram que Gabriel tem tudo para despontar da mesma forma que o pai.
- Ele chuta bem, dribla bem, marca muitos gols, corre muito. É igual o pai – atestou Luiz Otávio.
João Victor, por sua vez, disse que, além de bom jogador, Gabriel é um companheiro fora das quadras.
- Ele treina direitinho, é um garoto dedicado ao futebol, é bom de bola. Além disso, quando os outros precisam, ele ajuda e não deixa ninguém na mão.
Cobrança
Euller, que dá aulas na escolinha que leva seu nome, admite que a cobrança sobre Gabriel, às vezes, é grande. Afinal, ser o 'Neto do Vento' não é tão fácil assim.
- É diferente, porque até ele mesmo se cobra mais. Quando isso acontece, por ser meu filho, às vezes, ele é questionado se vai ser como o pai, se vai ficar como o pai, e é uma pressão muito grande para ele. Mas o Gabriel está indo bem, está legal. Estou gostando. Quem sabe ele pode se tornar um profissional também.
Porém, antes de entrar de vez no mundo da bola, Euller faz questão de que Gabriel não deixe de lado a infância. O 'Filho do Vento', com mais de 20 anos de carreira, sabe muito bem que o filho terá muito tempo para se preocupar com o futebol.
- Eu tenho a ideia de que ele deve jogar em clube a partir dos 13 anos. A cobrança por resultado nessa idade existe, mas não acho certo. Muitas vezes, se eles estiverem em clube, vão deixar de fazer fundamentos. A escolinha é para ensinar a bater na bola, como bater, o que é melhor, por dentro do pé, bater por fora. Tudo isso é ensinado na escolhinha e, muitas das vezes, nos clubes, isso é desperdiçado.
Mesmo com a torcida relativamente grande, Gabriel é modesto. A única certeza que o 'Neto do Vento' tem é a de quer ser jogador profissional.
- Eu jogo já tem cinco anos, nem lembro direito como comecei, era muito novinho. Aqui na escolinha, tem um ano. Quero ser jogador de futebol, igual meu pai. Só não sei se dá para ser rápido igual a ele. Eu nunca vi alguém assim, fazer um gol tão rápido quanto ele, quando ele ganhou o apelido de 'Filho do Vento'.
Gabriel disse que gosta de ser chamado de 'Neto do Vento', que acaba sendo um incentivo. Na verdade, além do apoio, Gabriel é treinado uma vez por semana pelo pai, para satisfação do 'Filho' e do 'Neto' do Vento.
- Eu gosto dele aqui. Ele faz a aula parecer bem mais divertida. O melhor é quando temos os coletivos.









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