De regresso ao jogo, e tendo testemunhado o mesmo no estádio, pouco mais foi do que penoso. Durante vários minutos, o estádio, com cerca de 15.000 espectadores esteve completamente silencioso, tal era a fraca qualidade da partida.
Partindo de inicio com uma equipa quase igual à titular, trocando o GR Helton, e o médio defensivo Fernando, e não se vendo a suposta aposta em jogadores jovens ou da formação. Danilo continuou sem estar nos 16, ainda a aguardar o fim do processo de transferência.
Assim sendo, e alinhando com uma equipa de titulares, o F.C. Porto fez uma péssima exibição, sem que parecesse existir jogo de equipa ou qualquer estratégia delineada. Poucas foram as vezes que o Estoril se fez ao ataque, por isso pouco trabalho foi dado à defesa. Mesmo assim, o treinador insitiu em colocar Maicon a defesa lateral, o que significa quase sempre, menos um jogador no ataque. Não se pode pedir a um central que desça na linha e faça cruzamentos.
Nos defesas centrais, Mandala, ainda muito verde falhou bastantes passes e chegou a perder bolas para os adversários, obrigando a esforço complementar dos restantes colegas da defesa especialmente Otamendi. Mesmo assim, para além dos dois defesas centrais, para ZERO atacantes do Estoril, jogou mais um médio defensivo, Souza, que apesar do esforço andou perdido no jogo, sem ninguém a quem pressionar ou roubar bolas.
Sobra Alvaro Pereira, suposto defesa esquerdo, mas que fazendo toda a ala, recuperava bolas, corria meio campo, cruzava na linha e ainda chegava às segundas bolas no lado direito do ataque. Exibição pouco abaixo da perfeição, a parecer estar a chegar à forma que demonstrou no passado ano, e que tantas delicias deu aos adeptos.
No meio campo, e pouco mais à frente, Moutinho e Defour dividiam tarefas, com Moutinho a controlar e distribuir o jogo, sempre bem, e com passes certos, lateralizações, desmarcações e movimentações ofensivas. No entanto, sem ninguém à frente com quem combinar, pouco mais podia fazer do que esperar que os colegas acordassem para o jogo.
Defour, o incansável, correu todo o jogo, compensando todas as jogadas em que os colegas não recuperavam, não defendiam, não se interessavam ou não davam uma linha de passe. Atacou, defendeu, pressionou, recuperou bolas, rematou e se mais não fez, foi porque em 10 jogadores de campo, foi um dos 3 que realmente jogaram.
Nos restantes, James Rodrigues foi encostado à linha para fazer de Hulk, quando todos os adeptos vêem que ele joga melhor no meio, atrás do avançado, e à frente do meio campo. E foi isso que ele fez, fugindo sempre para o meio, onde estava o autocarro defensivo do Estoril, não dando largura à equipa nem linhas de passe para desmarcação nas alas, pelo que não conseguiu sequer fazer um cruzamento de qualidade para a área. Com jogadores como Moutinho ou Defour nas costas, poderia muito bem jogar como o 10 que o F.C. Porto não voltou a ter desde a saída de Deco. Neste jogo foi pouco mais que um empecilho para a equipa.
Varela, regressado de um afastamento incompreensivel para quem está de fora, depois da grande época anterior, parecendo que só jogou porque não havia mais ninguém. E talvez por falta de ritmo, ou de paciência por não jogar, só corria do meio campo para a frente, mas sempre a tentar fintar, 2,3,4 ou 5 adversários, ou chegar à linha de fundo, para fazer mais uma finta ao defesa em vez de cruzar. Ainda arrancou aplausos com fintas no meio de 4 defesas, e toques de letra para fazer a bola passar por cima do adversário. No entanto, caso não tivesse marcado o golo da vitória, depois de uma brilhante arrancada desde a defesa de Alvaro Pereira, talvez os adeptos não lhe tivessem reconhecido qualquer mérito no jogo.
Kleber jogou a titular, mas também porque não há mais nenhum avançado no plantel. Face a esta situação, e à pressão que continua desde que Falcao deixou o clube, o avançado parece não se conseguir concentrar, e falhou situações atrás de situações, conseguindo falhar remates em que nem sequer tocava na bola. Correu e esforçou-se, mas a um avançado que joga como referência, pede-se mais que seja um matador, do que um corredor de maratona, que acaba os jogos esgotado mas sem criar qualquer jogada de perigo.
O pior de tudo foi o treinador que insistiu em manter a equipa a jogar mal durante quase todo o jogo, para depois fazer substituições que só confundiram a equipa, trocando Souza por Christian Rodriguez a jogar a extremo e Varela a médio ofensivo, deixando James Rodriguez escondido na lateral oposta. 5 min bastaram para se perceber que James Rodriguez não ia jogar mais neste jogo.
Com a sua saída finalmente entrou ITURBE uma cara nova que deu realmente alegria ao jogo, com arrancadas fulminantes pela linha, cruzamentos, tabelas, remates e acima de tudo atitude e entrega. Nesta altura Defour já saira, completamente esgotado, dando lugar a Belluschi, que parece que quando não entra a titular, não chega a jogar, ficando a marinar no meio campo. Neste jogo no entanto, a culpa foi repartida com a estratégia de o colocar como médio centro, ao lado de Moutinho, a ver as bolas passar por cima, enquanto tentava colocar bolas nos extremos que se esforçavam por não correr.
Em conclusão, podemos dizer que o melhor foi mesmo a vitória, já que nos últimos minutos, numa jogada em que praticamente toda a equipa do F.C. Porto ficou a ver jogar, o Estoril só não marcou porque o seu número 7, tinha passado 90 minutos sem chegar à pequena área adversária e deslumbrado com tantas facilidades chutou para fora, quando só tinha que encostar.
O ditado diz que em equipa que ganha não se mexe, mas neste caso é mais uma equipa que ainda ganha mas quase não se mexe. Esperemos que as vitórias continuem a aparecer, porque pelo menos os adeptos, merecem, mas começam a deixar de acreditar nesta forma de ?jogar? da sua equipa.









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