Enquanto os grandes da capital decepcionam seus torcedores na Série A, as equipes mineiras que disputam as divisões inferiores do Brasileiro têm campanhas de destaque
No lugar dos salários milionários, grupos com orçamento milimetricamente calculado. Não existem estrelas que provoquem a agitação dos torcedores para fotos ou autógrafos nem estruturas de última geração. Os atletas às vezes passam pelas ruas, praças e igrejas sem ser reconhecidos. No entanto, eles representam o brilho do futebol mineiro no segundo semestre, em que Atlético, Cruzeiro e América vêm decepcionando suas torcidas com atuações decepcionantes. Mesmo com dificuldades para pagar salários e fazer grandes contratações, o quarteto Boa (na Série B do Brasileiro), Ipatinga (na C), Tupi e Villa Nova (na D) tem lições a dar aos clubes de Belo Horizonte. Suas administrações fizeram planejamento arrojado com o intuito de assegurar o sucesso nos gramados. Ainda que aos trancos e barrancos, tudo vem dando certo e os torcedores os aplaudem com orgulho.
Renegado no Atlético, Jheimy adaptou-se rapidamente ao novo time, virou goleador e é um dos ídolos da torcida boveta
O
sucesso do Boa (ex-Ituiutaba) na Segunda Divisão se deve à competência
administrativa de Rone Moraes e seus irmãos Rildo e Roberto. Também pode
ser considerada a transferência de sede para Varginha, já que a
prefeitura abraçou a equipe, dando estrutura para os treinos e
disponibilizando o Melão para os jogos. Na ausência de um clube local,
os moradores abraçaram o time boveta desde o início, formaram torcida
organizada e vêm comparecendo em bom número às partidas. “Cerca de 1 mil
camisas foram vendidas na região a preço de R$ 100. Temos muito que
agradecer ao povo do Sul de Minas”, frisa o diretor de futebol Rildo
Moraes. A folha salarial é estimada em R$ 600 mil e os dirigentes têm
compromisso com os gastos. No banco de reservas, há a figura do paizão,
conselheiro, incentivador e amigo, Nedo Xavier, que transformou um grupo
sem grandes estrelas num time bem postado taticamente, com defesa
eficiente e que briga por vaga na elite nacional. Os destaques são o
goleiro Luiz Henrique, os volantes Claudinei e Moisés (ex-América) e o
atacante Jheimy, goleador da equipe.Frontini é um dos trunfos do Tigre na boa campanha da equipe na Terceira Divisão, que resultou no retorno à Série B
O Vale do Aço está em festa depois do retorno do Ipatinga à Série B. Com 13 anos de fundação, o Tigre acostumou-se ao sobe e desce dos últimos anos, em âmbito estadual e nacional. Este ano, foi rebaixado ao Módulo II do Mineiro e, por isso, a campanha de destaque na Terceira Divisão nacional foi questão de honra para o técnico Ney da Matta, que conhece bem as limitações do clube, e para os próprios jogadores. “Não adianta subir para a Série B e depois pôr tudo a perder. É preciso dedicação e responsabilidade para que possamos continuar em crescimento”, alerta o atacante Frontini, artilheiro da equipe com cinco gols. O time quadricolor ainda sonha com o título da Terceira Divisão, mas sabe que fez muito até o momento. Os problemas extracampo persistem, mas o presidente Itair Machado promete um fim na crise. A folha salarial do Tigre é estimada em R$ 400 mil.
Ricardo Drubscky montou o grupo em cima da hora e apostou em jogadores experientes para o sucesso do Galo Carijó

Há pelo menos uma década o Tupi vem colhendo os frutos do eficiente trabalho de sua diretoria. Com uma política de investimentos nas categorias de base e em melhorias do CT de Santa Terezinha, o clube construiu uma base importante para sonhar com a ascensão à Série C. No ano passado, a vaga bateu na trave (a equipe perdeu para o Macaé nas quartas de final), mas os torcedores estão esperançosos, sobretudo pelo trabalho de destaque do técnico Ricardo Drubscky, com passagens pelas categorias de base do América, Atlético e Cruzeiro. Ele ajudou a montar a equipe às vésperas da competição, trazendo reforços como o armador Luciano Ratinho e o atacante Ademílson, ídolo do clube e cidadão honorário de Juiz de Fora. Outra aposta foi o atacante Allan Taxista (ex-Villa), que começou no próprio Galo Carijó. A Prefeitura de Juiz de Fora também dá seu incentivo: R$ 30 mil mensais, sendo uma parte investida nas equipes juvenil e júnior.
Com o jovem Leonardo Condé no comando, Leão do Bonfim driblou problemas extracampo na luta pelo acesso à Série C
Antes de sonhar com uma campanha de destaque na Série D do Brasileiro, o Villa Nova foi obrigado a resolver problemas político-administrativos que quase culminaram no fechamento do clube. O aposentado Jairo Gomes assumiu a presidência e deu início à reestruturação fora das quatro linhas (a dívida trabalhista é estimada em R$ 7,8 milhões). O jovem técnico Leonardo Condé teve papel importante na caminhada bem-sucedida na competição – trabalhou o psicológico do grupo, indicou reforços e participou ativamente do planejamento. “Tivemos o sério compromisso de fazer um trabalho eficiente e honesto. Espero que o acesso possa premiar a dedicação dos jogadores”, diz o treinador, que comanda atividade hoje, em preparação para o duelo de volta contra o Anapolina, domingo, às 16h, no Castor Cifuentes. No jogo de ida, os goianos venceram por 1 a 0. Quem passar do confronto briga com o Tupi por vaga na Série C.
Creditos : superesportes.com.br











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