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Um banquete em África mas não para os africanos

23/01/2012


OS tambores vibram e ecoam por toda a mãe-África. Dezasseis conjuntos encantam os fãs, reunidos em duas nações que, por estes dias, monopolizam as atenções da tribo do futebol. É o Campeonato Africano das Nações. Seguramente, o maior espectáculo de massas do nosso continente que, ano após ano, vai sendo penosamente transformado num banquete servido em África, mas não para os africanos.



Tudo isto a-propósito dos exorbitantes valores que vêm sendo cobrados pela SPORT FIVE, a agência indigitada pela Confederação Africana de Futebol (CAF) para comercializar os direitos televisivos do CAN-2012. É cada vez mais restrito o número de países e, por conseguinte, de cidadãos africanos que conseguem assistir ao CAN. Moçambique faz parte do lote de países que devem pagar 600 mil euros para ganhar o direito de retransmitir as imagens desta prova. É uma verba que já foi considerada inalcançável por mais de metade dos países africanos, incluindo aqueles cujas selecções estão apuradas.

Zâmbia e Botswana disseram “não”, mesmo tendo as respectivas selecções a competir. Muitos outros apelaram aos respectivos Governos para que assumissem os desembolsos - e até o Gana, uma potência do futebol mundial e com uma das economias mais estáveis do continente, esteve até à véspera do arranque do CAN sem garantir os dois milhões de euros exigidos pela SPORT FIVE para a cedência dos direitos.

Este fenómeno já se arrasta desde meados da década passada, mas foi em 2010 que ganhou maior ampliação, quando países como Tunísia e Egipto não conseguiram adquirir os direitos televisivos da edição disputada em Angola.


O debate está na ordem do dia e a pergunta que todos os africanos colocam é: como é possível o CAN ser duas, três e em alguns casos quatro vezes mais caro do que o Campeonato Mundial de Futebol?

Issa Hayatou, presidente da CAF, faz ouvidos de mercador e dá o pontapé de saída para mais um CAN que corre o risco de ter mais audiências televisivas na Europa do que em África.

E assim se manifesta a renascença do desporto-rei no nosso continente...
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